O Chamado de Isaías

 

O Chamado de Isaías

INTRODUÇÃO

Isaías 6:1-8

O título da mensagem é: O Chamado de Isaías.

É importante que entendamos que o Senhor nos chama com o propósito de realizar uma grande obra em favor da humanidade.

Ilustração: Quando criança, João Wesley foi salvo de uma casa em chamas. Ele ficou convencido de que Deus o tinha salvo para ele cumprir uma missão especial. À medida que crescia, na Inglaterra do século dezoito, ele usou toda a sua energia para cumprir a vontade de Deus em sua vida. Após terminar seus estudos na Universidade Oxford viajou para a América, a fim de evangelizar os nativos da terra. Não obstante, apesar de suas intenções e esforços pessoais ele fracassou. Por que? Ele mesmo responde: “Eu fui para a América converter os nativos, mas quem vai converter a mim?”. Então algo maravilhoso aconteceu: No dia 24 de maio de 1738, João assistindo a um culto, num templo em Londres, sentiu Deus transformar a sua vida e confirmar o Seu chamado. Em seu diário, ele escreveu: “Sua unção aqueceu o meu coração. Senti que estava crendo somente em Cristo para a minha salvação e que eu estava completamente perdoado e libertado”. E assim, João Wesley tornou-se um dos homens mais influentes da história da Cristandade. Durante os 52 anos seguintes, após esta experiência, ele pregou mais de 40.000 sermões e viajou, mais de 32.000 quilômetros, compartilhando a mensagem de Cristo com centenas de milhares de pessoas. João precisou entender que antes de servir ele precisa adorar e se consagrar totalmente ao Senhor.

A Bíblia nos mostra que Isaías teve uma experiência semelhante no templo de Jerusalém. 

Isaías 6:1-8. Apresenta um dos grandes momentos da vida de Isaías - o momento em que ele foi amado, perdoado, curado e chamado por Deus para cumprir uma missão especial.

Esse texto, que tem sido alvo de muitos sermões, nos fala sobre a revelação, visual e auditiva, do caráter, da majestade e da soberania de Deus (vv. 1-4); e da respectiva reação do profeta (vv.5, 8). O versículo 8, por sua vez, apresenta o propósito de toda a visão: o chamado para servir. Portanto, a passagem mostra que realmente Isaías foi chamado por Deus para cumprir uma missão especial. Evidentemente, o texto foca a adoração e a consagração como elementos espirituais que antecedem a aceitação e a realização desta missão.

Toda pessoa que adora ao Senhor e consagra a sua vida a Ele, é imediatamente chamada para servir.

Pergunta de transição: Por que antes do Senhor nos chamar para serví-Lo, Ele nos chama primeiro para adorá-Lo e consagrar a nossa vida a Ele?

Em Isaías 6:1-8 descobriremos os motivos pelos quais a adoração e a consagração, antecedem o chamado de Deus para cumprirmos a missão.

 

I. ADORAÇÃO:

 

1) A visão que a gente tem do Senhor faz a diferença em nossa adoração.

2) No v. 1 ele diz: “eu vi o Senhor”. E no v. 5 ele confirma: “os meus olhos viram o Rei”. É interessante saber que o livro de Isaías é citado mais vezes no NT do que qualquer outro livro – e mais vezes do que todos os outros livros proféticos juntos. O NT se refere a Isaías 150 vezes e o cita diretamente 50 vezes. E numa dessas vezes revela-se que, nesta ocasião, Isaías viu a Jesus (João 12:41).

3) Ilustração: Sheila Hocken era cega. Sofria de catarata congênita (um obscurecimento das lentes objetivas da vista, que obstruem a passagem da luz). Com o auxílio de Emma, sua cachorra-guia labrador, ela cuidava de sua casa e ia para o emprego onde trabalhava como telefonista. Seu esposo Don era muito compreensivo e provia-lhe o amor e o estímulo para a vida.

Ela soube que uma nova técnica desenvolvida pelo Dr. Shearing em pacientes jovens. Onde a catarata não endurecera e estava relativamente macia e pegajosa, ele executava uma cirurgia.

Sheila submeteu-se à cirurgia numa sexta-feira, e teve de esperar até segunda-feira para tirar as ataduras. Chegou finalmente a manhã de segunda-feira. “Com o coração palpitante, disse ela, senti as ataduras sendo removidas. De repente eu não queria mais que fossem tiradas. Tive vontade de gritar: ‘Não ! Por favor, não!’ Ouvi então a enfermeira-chefe dizer:’Abra os olhos, Sheila.’ Foi como se tivesse sido golpeada, fisicamente atingida pelo brilho, como um imenso choque elétrico em meu cérebro e pelo corpo inteiro, Tudo estava branco diante de mim, um branco ofuscante que eu mal podia suportar, e depois um azul vívido como jamais pensara ser possível, Foi como o início de um novo mundo.”

“Você pode ver? Você pode ver?” perguntavam as enfermeiras. Sheila mal podia falar, mas finalmente disse: “Oh! É azul! É tão bonito!” Mas era o uniforme das enfermeiras e aí... começou a chorar! Tudo ficou embaçado, devido às suas lágrimas. Chorava incontrolavelmente e as enfermeiras choravam também”.

Sua mensagem para o esposo e para a família foi esta: “Eu posso ver”. Mais tarde, depois de removidas as ataduras, recebeu alta do hospital e seu esposo veio buscá-la. Ela nunca havia visto o rosto do esposo! Procurava imaginar seu rosto quando ouviu os passos tão familiares se aproximarem do corredor. “Eu vi um estranho se dirigindo a mim, bronzeado do sol e mais elegante do que jamais imaginei”. Que momento lindo e emocionante foi para aquele casal![1]

4) Aplicação: Você se lembra quando viu o Senhor Jesus pela primeira vez em sua vida? Você tem visto a Jesus todos os dias ao seu lado? Ele disse: “estou convosco todos os dias” (Mateus.28:20). Isto significa que Ele está ao seu lado às 24h do dia, confortando o seu coração, guiando a sua vida, resolvendo os seus problemas, vendo os seus dilemas pessoais, seus temores, suas fraquezas. Ele ouve as suas súplicas, supre as suas necessidades e abençoa a sua vida.

 Se você não consegue vê-Lo ao seu lado, lamentavelmente, está sofrendo de uma limitação espiritual. Como conseqüência a sua relação com Ele não será pessoal e a sua adoração não será espiritual.

Ore para que Ele lhe dê uma gloriosa visão da Sua pessoa, a fim de que você desenvolva a sensibilidade espiritual de vê-Lo ao seu lado quando você conversa com Ele, quando seus problemas são resolvidos, quando em meio das dificuldades Ele concede-lhe forças para suportar e vencer.

Ainda que você não sinta a Sua presença, ainda que você pense que Ele não está presente, diga com toda a sinceridade através dos olhos da fé – “eu vi o Senhor”. Porque a Sua presença não depende do que você pensa ou sente, mas do que Ele disse: “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos” – (Mateus 28:20).

Quando o cristão passa a ter esta visão da glória de Jesus a sua adoração se torna muito mais fervorosa porque o seu amor por Ele e a sua fé nEle crescem cada vez mais.

 

É interessante observar que nesta visão Isaías além de ter visto a Jesus também viu anjos, magníficos em luz e poder, adorando-O.

1) A adoração que os serafins prestam a Jesus é um exemplo para nós.

2) Os vv. 2-4 nos mostram como os serafins adoram ao Senhor. A base da palavra “serafins” é o termo hebraico “sarap”, que significa “queimar”. Provavelmente, estes seres espirituais usaram uma ardente linguagem visual, a fim de expressar para o profeta, através do fogo, a glória, a pureza e o fervor que os movem em Sua adoração e serviço ao Senhor. Eles estão extremamente próximos do Senhor, e juntos reconhecem a beleza da Sua santidade ao fazerem a seguinte aclamação: “Santo, santo, santo...” (v.3). A repetição tem a força de um superlativo conhecido no hebraico como “trishagion”, ou seja, três vezes santo. Além de adorar ao Senhor eles têm a missão de revelar a Sua glória e santidade. Em seu comentário, S. J. Schwantes  afirma que: "Santidade é o termo que engloba todos os atributos morais de Deus. Santidade expressa o fato de que Deus rege sobre um universo moral e que Ele é a fonte e fundamento de toda excelência moral... Isaías 57:15 afirma que o Deus alto e sublime... De algum modo misterioso, o Deus transcendente é também o Deus imanente".[2]

3) Ilustração: Certa noite, em 1741, um jovem ministro, Carlos Jennens Júnior, bateu à porta da casa do idoso compositor Jorge Frederico Handel e entregou-lhe uma lista de passagens bíblicas que deviam ser convertidas em música. A princípio Handel desprezou o pedido, mas um dia ele pegou o manuscrito e leu-o. Ficando com a imaginação cativada, começou a compor a música que correspondesse aos versos da Escritura. Escreveu durante vinte e três dias, detendo-se apenas o tempo suficiente para comer. Conforme ele disse mais tarde, parecia estar na presença do grande Deus. Essa composição era seu famoso oratório - O Messias.

Agora eu gostaria de fazer-lhes uma pergunta: Por que todos se levantam quando é cantado o “Coro de Aleluia”? Este costume originou-se quando o rei Jorge II, da Inglaterra, ouviu pela primeira vez essa parte de “O Messias” cantada com tanta glória, pureza e fervor... afirma-se que ele ficou tão comovido pela grandeza desse trecho, que se pôs de pé, e seus súditos que se achavam presentes levantaram-se também. O rei como que captou a inspiração de Handel e sentiu que ele também estava na presença do Rei dos reis.

4) Aplicação: Isto evidencia o fato de que a verdadeira adoração pode mudar a atitude das pessoas diante de Deus.

Quando o culto envolve estes elementos: revelação da glória de Deus, percepção da Sua presença e santidade, fervor, sentimos satisfação em vir para a igreja. Pois, a verdadeira adoração é reverente, contagiante e fervorosa.

E assim, espiritualmente envolvidos pelos princípios bíblicos da adoração, somos motivados e habilitados a adorar ao Senhor em espírito e em verdade.

E ao exaltar a glória e a santidade do Senhor, a nossa percepção da Sua presença, da Sua pureza e do Seu poder gera transformação espiritual e nos motiva a ter uma vida cristã consagrada.

 

II CONSAGRAÇÃO:

 

1) Quanto mais nos aproximamos de Jesus, através da adoração, passamos a ter uma visão mais gloriosa da Sua Pessoa. Inevitavelmente, O comparamos conosco e vemos que Ele é tudo o que não somos e que lá no íntimo o Seu Espírito desperta em nós o desejo de ser.

Dá para imaginar a triste situação de Isaías? Como ele sentiu-se? Ele foi possuído por uma profunda sensação de indignidade e perdição.

2) Neste texto o profeta exclama: “Ai de mim! Estou perdido!”. Esta profunda sensação de pecaminosidade impulsionou Isaías a clamar, no silêncio da sua alma, pela misericórdia de Deus. Mayer afirma que: “No capítulo anterior, Isaías tinha proferido seis ‘ais’contra outros, mas o sétimo e mais severo ‘ai’ é dirigido contra si mesmo. O pecador, assim, como o leproso, grita ‘imundo’ (Lev.13:45)”.[3]

Esta consciência fez com que Isaías sentisse a sua real situação espiritual. Por isto, os versos 5-7 tratam do perdão e da purificação do profeta.

3) Ilustração: Oliver Cromwell, que se tornou conhecido como o Senhor Protetor da Grã-Bretanha, pediu a Peter Lely, famoso artista, que lhe pintasse o rosto, E deu as seguintes recomendações: “Quero que você faça uma pintura, que me retrate honestamente. Quero que use todas as suas habilidades para que a pintura seja semelhante a mim. Não me bajule, mas ponha em minha face às rugas e defeitos que ela tem, assim como você está me vendo agora”. Depois de algum tempo, estava pronta a pintura, que retratava, sem artifícios, os traços de Oliver Cromwell.

4) Aplicação: Devemos suplicar com a mesma sinceridade que o Senhor Jesus, através do Espírito Santo, nos mostre quem realmente somos e como estamos. E que esta visão nos torne humildes e profundamente necessitados da Sua graça, misericórdia e poder.

Como temos nos apresentado diante do Senhor? Como está o templo da nossa alma? Tudo que somos, temos e fazemos consagramos a Ele?.

5) Antes de consagrar a nossa vida ao Senhor  nosso Deus precisamos ser perdoados e purificados por Ele.

6) “Lábios” – Ao ver a triste situação de Isaías o Senhor sente compaixão e o socorre enviando-lhe uma mensagem de misericórdia, graça e perdão. E dos lábios de um dos Serafins, ecoa palavras avassaladoras de um amor soberano, que asseguram ao profeta perdão absoluto.

Como o profeta Isaías realizaria, literalmente, a obra de um porta-voz, isto significa que ele seria, em certo sentido, a boca de Deus para os homens.

R. N.Champlin terce o seguinte comentário sobre o significado simbólico da palavra ‘lábios’: "Neste contexto,representa aqui a pessoa inteira. ‘Lábios’ foi a palavra apropriada para a declaração de Isaías, porquanto eram os lábios dos serafins que entoavam o cântico da santidade de Deus. Além disso, seriam os lábios purificados de Isaías que levariam a mensagem divina a Judá".[4]

6:6, 7 – “brasa viva” – É um tremendo símbolo de perdão e purificação. Isaías teve uma marcante experiência de justificação e santificação simultaneamente. Isto significa que antes de Isaías pregar a Palavra com poder ele necessitava experimentar o poder da Palavra. Entendo também que num sentido secundário, esta brasa viva, poderia representar o poder que na terra aplica a justiça e a santidade de Cristo no coração do pecador - o Espírito Santo.

“Altar” – Parece-me, que em sua explicação sobre o altar, R. N. Champlin oferece uma certa base para a aplicação secundária que acabei de fazer. Ele afirma que este altar era: "O altar dos holocaustos, e não o altar do incenso. Nesse caso, nos lábios do profeta foi usado o material inflamável empregado para queimar holocaustos. Ali havia continuamente fogo a queimar (ver Lev. 6:12)... recebeu unção especial... Assim como o fogo do altar jamais deveria apagar-se, a unção de Isaías serviria por toda a sua vida, e ele seria capaz de realizar sua missão".[5]

 7) Ilustração: William abandonou a casa paterna quando tinha apenas doze anos de idade. Saiu pelo mundo em busca de ‘realizações’. Sentia-se oprimido, quase asfixiado pelos conselhos paternos. Não queria fronteiras para sua vida, não queria limites, nem regras, nem horários para entrar ou sair de casa. Fugiu em busca de ‘liberdade’, a fim de conhecer tudo o que ‘a vida oferece’. No início, tudo foi fantástico e maravilhoso. Novos amigos, novas sensações. Sem perceber, foi mergulhando perigosamente nas águas turbulentas dos vícios: cigarros, bebidas e drogas, até que um dia, a corda arrebentou. Foi ferido a bala pela polícia e acabou na prisão. Sozinho numa cela fria, em Recife, viu o tempo passar e conseguiu refletir na sua insensatez... Tuberculoso, com a saúde quebrantada e com seus sonhos caindo aos pedaços, imaginou se haveria alguma saída para ele... Certo dia, um grupo de jovens estudantes de Teologia iniciaram um trabalho de evangelização na cadeia. Foi assim que Virgílio, um jovem estudante convertido havia poucos anos, achou, detrás das grades, seu irmão William, que fugira de casa com doze anos de idade. Magro, doente, envelhecido e maltratado pelas circunstâncias. Ambos se abraçaram e Virgílio apelou para que William abrisse o coração ao Salvador.

-       Não posso, disse William. Já é muito tarde para mim. Já arruinei a minha vida, sou a vergonha da família.

-       Não é verdade, apelou o irmão mais velho. Jesus ama você , e se acreditar nEle, Ele entrará em sua vida e perdoará o seu passado e o fará um homem justo.

William foi a Jesus. Caiu de joelhos ali na cela... hoje William é um jovem pastor no Norte do Brasil.[6]

 

8) Aplicação: Uma vez que Deus não faz acepção de pessoas, Ele também deseja perdoar os seus pecados e transformar a sua vida. E assim, diariamente, ungi-lo, a fim de usá-lo como um útil e poderoso instrumento em Suas mãos para cumprir a missão.

 

III MISSÃO:

 

1) Toda pessoa que passa por uma experiência como esta, de perdão e transformação de vida, sente-se motivado a consagrar tudo o que é, tem e faz ao serviço do Senhor. E assim, ele se coloca nas mãos de Deus para servi-Lo como um missionário.

2) O Senhor pergunta: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (v.8). Este pronome “nós” pode ser uma referência a Trindade envolvida na obra de salvação da humanidade. 

A prontidão de Isaías em receber o chamado para a obra missionária deve ser um exemplo que nos inspire a abandonar nosso egoísmo e a nossa indiferença irresponsável, que nos leva a cruzar os braços, quando muitos estão descendo, diariamente, as profundezas da morte sem a esperança da vida eterna.

O texto ainda nos mostra que a pergunta não foi formulada diretamente para Isaías, mas para todos. De maneira que a pergunta é geral, mas a resposta é individual.

S. J. Schwantes, fala que a grandeza desse chamado... consiste no fato de ser uma resposta espontânea de um coração que vibra em harmonia com o coração divino. Há uma grande tarefa a ser realizada, e o homem assume voluntariamente sua parte no programa divino. Ele contempla a seara que na verdade é grande; reconhece também que os trabalhadores são poucos, e sente o constrangimento de oferecer seu serviço a Deus (Mateus 9:37 e 38).[7]

3) Ilustração: Adoniram Judson nasceu no dia 9 de agosto de 1788 na cidade de Malden, subúrbio de Boston, EUA. Antes de completar quatro anos de idade, sua mãe o ensinou a ler através da Bíblia. Seu pai era pastor e o educou a sempre dar o melhor de si. E assim, ele dedicou-se aos estudos e concluiu o seu curso como o melhor aluno da turma.

Ele conta que num certo dia quando estava na floresta, orando e meditando, recebeu o chamado do Senhor que mudou o rumo da sua vida. Este chamado, da parte de Deus, foi tão claro e forte, que ele tomou a grande e definitiva decisão de ser um missionário em terras estrangeiras nas quais nunca tivesse sido proclamado o evangelho.

Para tanto teve que renunciar algumas propostas tentadoras:

Recusou o convite para fazer parte do corpo docente da Universidade de Brown;

Rejeitou o convite para ser pastor de uma das maiores igrejas da América do Norte da sua época;

Deixou um bom emprego em seu país;

Recusou, posteriormente, o emprego de intérprete de um governo estrangeiro, que lhe ofereceu salário elevado.

Afirma-se que sua esposa foi a primeira mulher que saiu dos Estados Unidos como missionária. Juntos embarcaram para a Índia em 1812.

Depois de serem expulsos da Índia, passaram mais de um ano fugindo de um país para outro quando finalmente chegaram ao bárbaro império da Birmânia. Passaram por momentos de dúvidas, desânimo e desespero... Por que o Senhor não permitiu que eles evangelizassem outra nação? Somente algum tempo depois, descobriram a resposta. O Senhor os enviou para aquele lugar de costumes tão estranhos e de uma língua tão difícil porque Rangum, o porto principal da Birmânia, era geograficamente o local mais estratégico para posteriormente expandir o Cristianismo para a Ásia.

Somente cinco anos e meio depois de sua chegada conseguiu realizar o primeiro culto público. O rei havia determinado que qualquer pessoa que mudasse de religião no seu império seria condenado à morte. Ainda assim, neste mesmo ano tiveram a alegria de batizar, com riscos de perder a vida, o primeiro birmanês que recebeu a Cristo como seu Senhor e Salvador pessoal.

Quando chegou na Birmânia, pela primeira vez, ele acalentou em seu coração um grande sonho, que era ver a Bíblia traduzida e impressa na língua do povo e também uma igreja com cerca de cem birmaneses convertidos ao Senhor. Vinte anos depois, ele havia traduzido toda a Bíblia para a Birmânia e no ano de sua morte, 1850, ele viu mais de sessenta igrejas com mais de sete mil birmaneses convertidos a Cristo.

4) Aplicação: Quando as pessoas convertidas se consagram a Deus e atendem ao Seu chamado elas são enviadas para servir. E assim, por onde passam igrejas são soerguidas e vidas são transformadas como monumentos do poder de Deus.

 

CONCLUSÃO:

 

1) Toda pessoa que adora ao Senhor e consagra a sua vida a Ele, é imediatamente chamada para servir.

Por que antes do Senhor nos chamar para serví-Lo, Ele nos chama primeiro para adorá-Lo e consagrar a nossa vida a Ele?

 

a)    Porque através da adoração a visão que a gente passa a ter do Senhor faz a diferença em toda a nossa vida espiritual.

b)    Porque a percepção da Sua presença, em adoração, gera transformação espiritual e nos motiva a fazer uma entrega total.

c)     Porque toda pessoa que passa por uma experiência como esta, de perdão e transformação de vida, sente-se motivada a consagrar tudo o que é, tem e faz ao serviço do Senhor.

 

2) Aplicação: Hoje o Senhor se manifesta no templo da tua alma através da pregação da Sua Palavra. Mais do que encher o templo de Jerusalém com Sua glória, Ele deseja encher o templo do Espírito Santo, que é você, com a luz da Sua presença e com o poder do Seu amor, a fim de que você seja, onde estiver, um instrumento em Suas mãos como Isaías foi em Judá.

 

3) Apelo: Tenho certeza de que Deus está te falando neste exato momento.

Quem quer que você seja ou tenha feito, Deus está te chamando para te perdoar e te usar como um instrumento do Seu poder.

Não adie a tua decisão. Não volte para casa como você entrou neste lugar. Sei que não é fácil, mas é a melhor decisão que você estará tomando em toda a tua vida.

Então, o Senhor te pergunta, agora, através da Sua Palavra e do Seu Espírito: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?”.

Se você tomou a decisão de consagrar a tua vida ao Senhor para serví-Lo venha e fale: “eis-me aqui, envia-me a mim”.



[1] L. Ranzolin, Jesus – O Orvalho da Manhã, p. 45.

 

[2] S. J. Schwantes, O Profeta do Evangelho, p.20, 21.

 

[3] F. B. Mayer, Cometário Bíblico Devocional, 353.

 

[4] Russell Norman Champlin, O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Vol. 5,  p. 2807.

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[5] Russell Norman Champlin, Op. Cit., p. 2808.

 

[6] Alejandro Bullón, Mais Semelhante a Jesus, p. 13.

 

[7] S. J. Schwantes, Op. Cit., p. 22.